Colonialismos e colonialidades

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Natália Guerellus

Pesquisadora e professora adjunta, diretora do departamento de português da Universidade Lyon 3. Coordenadora do projeto CILIPO-FP (financiamento Bourgeon 2022), que deu origem a este livro. É historiadora, especialista do Brasil e do Portugal contemporâneos, notadamente naquilo que concerne a história política, os estudos literários e os estudos de gênero e feministas.

Apresentação

Michel Cahen

Michel Cahen é Diretor de Pesquisa Emérito do CNRS no Centro “Les Afriques dans le monde” (Sciences Po Bordeaux). Ele é historiador da colonização portuguesa na África, mas também tem se interessado pela ideia colonial no império português, pela ideologia da lusofonia, pelas abordagens pós-coloniais/poscoloniais e decoloniais nos países de língua portuguesa, entre outros temas.

Regimes de colonialidade

Resumo A colonialidade foi e é um fenômeno global (embora não generalizado) ligado à expansão do sistema-mundo capitalista moderno (mercantil e esclavagista) desde o século XV, para além (e depois em combinação) da expansão posterior do modo de produção capitalista. Mas ela não é uniforme, pois está intimamente ligada à história dos territórios em causa. Podemos, portanto, falar de regimes de colonialidade, um conceito derivado do de regimes de historicidade. Este capítulo analisa, assim, alguns dos principais regimes de colonialidade que estão intimamente ligados à história, tanto na periferia do capitalismo como no seu centro.

Bárbara dos Santos

Bárbara dos Santos é doutora em literaturas portuguesa e africana. Ela é pesquisadora associada do laboratório LAM/Les Afriques dans le Monde, UMR 5115, e lecionou em várias universidades francesas (Rennes, Strasbourg, Bordeaux). Ela também é autora de diversos artigos científicos publicados a nível nacional e internacional.

Os estudos pós-coloniais « lusófonos » nas universidades europeias

Resumo Ignorados por muito tempo pela crítica francesa, os estudos pós-coloniais demoraram para entrar nas universidades na França. Embora continuem a ser objeto de muitas críticas, mais intelectuais hoje reconhecem, ao menos, a contribuição interessante destes estudos para os debates atuais. Em Portugal, observa-se uma forma semelhante de resistência, ligada, da mesma forma, a dúvidas sobre a relevância do aparato teórico que acompanha essas teorias no contexto lusófono. Por outro lado, também é importante destacar a influência das teorias decoloniais, principalmente do Brasil, que contribuem para a complexidade dos debates. O objetivo deste estudo é, portanto, destacar a complexidade dos debates pós-coloniais nas universidades portuguesas, fazendo um balanço da crítica pós-colonial acerca dos países africanos de língua portuguesa e dos fundamentos teóricos em que esta se baseia.

Elena Brugioni

Elena Brugioni é professora Associada (Livre Docente) de Literatura Comparada no Departamento de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas e co-coordenadora do KALIBAN - Centro de Pesquisa em Estudos Pós-coloniais e Literatura-Mundial (CNPq).

Comparativismos Combinados e Desiguais. Repensar o campo dos estudos literários africanos à luz do debate sobre literatura-mundial

Resumo O Projeto “Comparativismos Combinados e Desiguais: Repensar o campo dos estudos literários africanos e pós-coloniais à luz do debate sobre literatura-mundial”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (REF. 2020/07836-0) se debruça sobre um corpus literário e teórico heterogêneo, abordando obras literárias e teorizações oriundas de diversos períodos e contextos visando estabelecer contrapontos entre escritas e autores. Tendo em conta os recentes desenvolvimentos dos debates teóricos e conceituais sobre a literatura-mundial/world-literature a partir da dimensão sistémica formulada por Franco Moretti (2013) e posteriormente desenvolvida e aprofundada pelo Warwick Research Collective (WREC, 2015 e 2020), o projeto pretende repensar os paradigmas críticos que pautam os campos dos estudos literários africanos e pós-coloniais no contexto brasileiro em contraponto com os debates internacionais, procurando mapear suas transformações frente aos desafios que marcam hoje o estudo da literatura e, mais em geral, das Humanidades, dentro e fora do Brasil.

Deivison Faustino

Professor do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e Políticas Sociais da Universidade Federal de São Paulo. Autor de inúmeros livros e artigos sobre o pensamento de Frantz Fanon e a sua recepção contemporânea. Atualmente vem trabalhando em investigações sobre o colonialismo digital, a saúde pública e pensamento antirracista a partir de uma perspectiva fanoniana.

O “Anti”, o “Pós” e o “De” (Colonial): As disputas teórico-epistêmicas em torno de Frantz Fanon

Resumo Neste artigo, discuto a recepção do pensamento do psiquiatra martinicano Frantz Omar Fanon no Brasil. A influência do hegelianismo francês, da Négritude francófona e dos movimentos anticoloniais sobre os segmentos diversos da intelectualidade brasileira, na segunda metade do século XX e, posteriormente, no século XXI do pensamento poscolonial e decolonial, é o pano de fundo sob o qual será analisada a recepção do pensamento de Fanon no Brasil. Argumenta-se que o legado de Fanon foi reivindicado de maneira diversa por vertentes teóricas distintas e, por vezes, conflitantes ao longo dos últimos 70 anos. No entanto, os sentidos teóricos e políticos dessa recepção assumiram feições próprias, relacionadas às lógicas coloniais endógenas de acesso à produção e à circulação intelectual no país e, sobretudo, aos caminhos particulares trilhados pelo pensamento antirracista no Brasil.

Sandra Assunção

Sandra Assunção é professora adjunta no departamento de português da Universidade Paris Nanterre. Co-organizou, recentemente, os diferentes dossiês : « Resistência na literatura brasileira contemporânea » (Revista Miscelânea, 2020) ; « Narrativas memoriais e pós-memoriais » (Revista Letras Raras, 2020) ; « Dos espaços do corpo ao corpo no espaço : literatura e cultura » (Revista REVELL, 2020) ; « Culture and Politics in Brazil: a decade under review (2011-2020) » (Brasiliana : Journal for Brazilian Studies, 2021) ; « Périphéries culturelles dans les Amériques » (Revue Rita, 2021) ; Laços de família de Clarice Lispector, Revue Hispanismes (2021).

Carolina Maria de Jesus, intérprete do Brasil

Resumo Três séculos e meio de escravidão deixaram uma herança profundamente enraizada na sociedade brasileira, ainda mais porque a integração da população negra nunca foi realmente planejada (Fernandes). Pelo contrário, ela deu origem a práticas cotidianas de exclusão e violência contra o afrodescendente, contrariando as diversas ideologias forjadas para diluí-lo no projeto de construção de um Estado-nação. Assim, o lugar reservado ao negro na sociedade brasileira tem sido o de um “racismo naturalizado por um sistema econômico, político e jurídico que tem perpetuado sua condição de subalternidade” (Almeida). O epistemicídio faz parte disso e, por muito tempo, impediu que o negro deixasse sua condição de objeto para se tornar sujeito (de sua própria história, de uma autorrepresentação), apesar do inegável lugar da herança africana na cultura brasileira. A literatura brasileira, como um campo de conhecimento há muito associado a uma elite intelectual e econômica, não é exceção. Carolina Maria de Jesus nos mostrou, por meio de suas histórias e de sua posição social, que o escritor escreve (e é percebido) com base em “sua localização geopolítica e corpo-política” (Grosfoguel). A partir desta reflexão, tentaremos entender sua escrita como um espaço para a enunciação do sujeito marginalizado, bem como para a encenação de uma memória traumática.

Giselle Venancio

Professora do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF). Atuou como professora no doutorado “Patrimônios de Influência Portuguesa” (Universidade de Coimbra, 2020); como Directrice d’études na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) (Fondation Maison des Sciences de l’Homme, 2017); e como pesquisadora com bolsa para investigadores estrangeiros da Fundação Calouste Gulbenkian (Universidade de Évora, 2007). Doutora em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com período sanduíche na EHESS/Paris, sob a direção de Roger Chartier.

“Os galhos pelados da caatinga rala”: Graciliano e(in)screve o Brasil na França (1956-1998)

Resumo Discute-se neste texto como a escrita de Graciliano Ramos sobre o Brasil foi inscrita na França. Dessa forma, ele se encontra dividido em três partes. Na primeira, contextualiza-se o panorama do pós-Segunda Guerra, quando se iniciaram diversas políticas culturais que visaram reestabelecer laços entre a Europa Ocidental e o agora chamado Sul Global. A ponte literária da tradução foi uma dessas ações que objetivaram a paz entre os povos, mas que, além de compartilhar experiências estéticas distintas, também reproduziram perspectivas subalternizantes e fetichizadas sobre este Sul. Na segunda parte analisa-se como as traduções de Graciliano Ramos na La Croix du Sud, projeto editorial da Gallimard, liderado por Roger Caillois, reforçaram o estigma de injustiça, miséria e fome sobre o Brasil. Já na terceira, discute-se a consagração de Graciliano Ramos a partir da ampliação de seu legado editorial, difundido pela coleção Du Monde Entier da Gallimard, e da presença de Vidas Secas nos debates do campo intelectual francês. Por fim, defende-se que o binômio do título levanta reflexões sobre as relações assimétricas entre o Norte e o Sul da República das Letras e das subalternidades contemporâneas.

Lucas Cheibub

Doutorando em História (2021-) pelo programa de Pós-Graduação de História(PPGH- UFF) com estágio de pesquisa no Institut des Hautes Études sur l’Amérique Latine (IHEAL) do Centre de Recherche et de Documentation sur les Amériques (CREDA) da Université Sorbonne Nouvelle - Paris 3. É vinculado ao laboratório Escrithas da História/Historiografias do Sul, com o interesse na História do Livro e da Leitura.

Texto a ler : “Os galhos pelados da caatinga rala”: Graciliano e(in)screve o Brasil na França (1956-1998)

Resumo Discute-se neste texto como a escrita de Graciliano Ramos sobre o Brasil foi inscrita na França. Dessa forma, ele se encontra dividido em três partes. Na primeira, contextualiza-se o panorama do pós-Segunda Guerra, quando se iniciaram diversas políticas culturais que visaram reestabelecer laços entre a Europa Ocidental e o agora chamado Sul Global. A ponte literária da tradução foi uma dessas ações que objetivaram a paz entre os povos, mas que, além de compartilhar experiências estéticas distintas, também reproduziram perspectivas subalternizantes e fetichizadas sobre este Sul. Na segunda parte analisa-se como as traduções de Graciliano Ramos na La Croix du Sud, projeto editorial da Gallimard, liderado por Roger Caillois, reforçaram o estigma de injustiça, miséria e fome sobre o Brasil. Já na terceira, discute-se a consagração de Graciliano Ramos a partir da ampliação de seu legado editorial, difundido pela coleção Du Monde Entier da Gallimard, e da presença de Vidas Secas nos debates do campo intelectual francês. Por fim, defende-se que o binômio do título levanta reflexões sobre as relações assimétricas entre o Norte e o Sul da República das Letras e das subalternidades contemporâneas.

Giulia Manera

Giulia Manera é professora de língua portuguesa e literatura brasileira na Universidade da Guiana Francesa (França). Doutora pela Universidade Paris Nanterre (França) e pela Universidade de São Paulo - USP (Brasil), é autora de numerosos trabalhos sobre as representações do gênero, a literatura de autoria feminina e os feminismos no Brasil contemporâneo.

Diálogos e circulação de feminismos negros e pós-coloniais contemporâneos entre Brasil e França: o caso de Djamila Ribeiro e a coleção Feminismos Plurais

Resumo Ainda pouco conhecida fora do Brasil, a obra de Djamila Ribeiro começa a circular na França a partir de 2019 graças à editora Paula Anacaona. Esses ensaios, assim como os demais títulos da coleção Feminismos Plurais traduzidos para o francês, abordam diferentes temas ligados a correntes do pensamento pós-colonial, como apropriação cultural, interseccionalidade, empoderamento e transfeminismo. Ao observar a circulação e a recepção das obras de Djamila Ribeiro e da coleção Feminismos Plurais na França, este artigo pretende analisar a contribuição dos feminismos contemporâneos para a crítica da colonialidade, ajudando a compreender a estabilidade dos fenômenos de subordinação e suas raízes na longa história do colonialismo.

Rita Olivieri-Godet

Rita Olivieri-Godet é professora Emérita de Literatura Brasileira na Universidade de Rennes 2; membro da equipe de pesquisa ERIMIT; membro honorária do Institut Universitaire de France. Temas de pesquisa: literatura contemporânea brasileira e ameríndia; relações literárias interamericanas.

Representações e vozes ameríndias: memória e historicidade do espaço das Américas

Resumo Este artigo faz uma retrospectiva de nossa pesquisa, cujos temas principais são a articulação de obras literárias e representações sociais relacionadas, entre outras coisas, à construção de imaginários nacionais, questões de identidade, aos desafios da interculturalidade e à relação com a alteridade, as figurações do espaço contemporâneo (cidades, periferias, “não-lugares”) e questões ligadas à memória e à historicidade do espaço, com base em um corpus de obras brasileiras e quebequenses dos séculos XX e XXI. Nosso trabalho mais recente sobre a alteridade ameríndia e o imaginário do espaço nas Américas nos levou naturalmente a nos interessar pela produção literária autóctone. O estudo paralelo das representações literárias da alteridade ameríndia e da autorrepresentação das vozes ameríndias no Brasil e no Quebec nos permitiu explorar a relação entre americanidade e ameríndianidade, destacando a inclusão da produção literária autóctone em um processo contemporâneo de transculturalidade; essa produção, no entanto, não renuncia a uma reapropriação memorial do território geocultural dos ancestrais. Este artigo analisa textos literários alóctones e autóctones que questionam a memória escondida do território ou a memória ferida dos ameríndios e que se concentram no ressurgimento de suas memórias ancestrais e culturais.

José Eduardo Franco

Investigador-Coordenador com equiparação a Professor Catedrático da Universidade Aberta e Diretor do Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta, onde coordena o Doutoramento em Estudos Globais.

A receção pós-colonial e decolonial de Vieira: usos e significados das apreciações controversas sobre a sua vida e a sua obra

Resumo O Padre António Vieira (1608-1697), classificado no livro Mensagem, de Fernando Pessoa como o “Imperador da Língua Portuguesa”, e a sua obra, têm tido, ao longo dos últimos 4 séculos, uma receção muito controversa. Vieira tem-se tornado recorrentemente uma figura-bandeira e figura-símbolo de combates culturais, ideológicos, literários, projetos de sociedade em diferentes contextos. O nosso artigo pretenderá analisar criticamente, à luz de uma hermenêutica dos contextos, a receção controversa de Vieira e a sua reconversão como figura-bandeira nos debates pós-coloniais e decoloniais.

Ricardo Ventura

Doutorado em Estudos de Cultura – Cultura Portuguesa (Universidade de Lisboa, 2011) e investigador da Cátedra de Estudos Globais (Universidade Aberta). Integrou a coordenação executiva da edição da Obra Completa do Padre António Vieira (30 vols., Círculo de Leitores, 2013-2014.

Texto a ler : A receção pós-colonial e decolonial de Vieira: usos e significados das apreciações controversas sobre a sua vida e a sua obra

Resumo O Padre António Vieira (1608-1697), classificado no livro Mensagem, de Fernando Pessoa como o “Imperador da Língua Portuguesa”, e a sua obra, têm tido, ao longo dos últimos 4 séculos, uma receção muito controversa. Vieira tem-se tornado recorrentemente uma figura-bandeira e figura-símbolo de combates culturais, ideológicos, literários, projetos de sociedade em diferentes contextos. O nosso artigo pretenderá analisar criticamente, à luz de uma hermenêutica dos contextos, a receção controversa de Vieira e a sua reconversão como figura-bandeira nos debates pós-coloniais e decoloniais.

Nuno Medeiros

Nuno Medeiros é professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), no Departamento de História, na Área de Literaturas, Artes e Culturas e no Programa em Cultura e Comunicação, e investigador do Centro de Estudos Comparatistas (FLUL). Tem estudado as indústrias e práticas culturais e a produção e circulação da cultura impressa.

Instâncias etnográficas, colonialismo e edição de livros no Estado Novo português

Resumo Durante os anos 1950 e 1960, paralelamente às movimentações ideológicas no seio do Estado Novo português, o campo das ciências sociais transforma-se e complexifica-se. A tradição da colaboração no esforço de colonização de discursos como o da antropologia física a partir de uma pauta supremacista ou evolucionista não desaparece, mas perde terreno e é forçada a conviver com as alterações de paradigma que se verificam em diversas instituições da metrópole e das colónias. Este surto renovador, embora seja limitado, é fundamental para abrir caminho a vias modernizadoras do pensamento e conhecimento, sempre capazes de estabelecerem laços com o projecto colonial do Império português.

Angélica Amâncio

Angélica Amâncio é Professora Adjunta no Departamento de Estudos portugueses e brasileiros da Université de Poitiers (França). É doutora em Literatura Comparada pela UFMG e pela Université Paris 7, além de tradutora formada pela ESIT (Université Sorbonne Nouvelle). Realizou Pós-Doutorado na USP (2016) e na Université Paris 3 (2018). Suas pesquisas são voltadas, sobretudo, para a Literatura brasileira contemporânea, as circulações culturais e as relações entre Literatura, outras artes e mídias.

Mercado editorial de quadrinhos e leituras do Brasil na França

Resumo Neste ensaio, analisam-se representações da sociedade brasileira na França, no século XXI, a partir do estudo de histórias em quadrinhos traduzidas e publicadas neste país. Nesse intuito, são examinados títulos como Écoute jolie Márcia (Éditions çà et là, 2021), de Marcello Quintanilha, e Favela chaos: l’innocence se perd tôt (Anacaona, 2015), de Ferréz e Alexandre de Maio, entre outros, em seu contexto de publicação. Nosso objetivo é pensar se tais escolhas do mercado editorial dão ou não continuidade a uma tradição europeia colonialista de caracterização do Brasil.

Luciana Salazar Salgado

Atua nos programas de pós-graduação em Linguística e Estudos de Literatura na UFSCar, e no programa multidisciplinar Culturas e Identidades Brasileiras do IEB/USP. Coordena o Grupo de Pesquisa Comunica – inscrições linguísticas na comunicação (UFSCar/CEFET-MG, CNPq), que estuda processos editoriais e hiperdigitalização da cultura.

Uma estética da desprogramação: o Observatório da Literatura Digital Brasileira e a invenção de um outro mundo possível

Resumo Registra-se aqui um percurso de pesquisa que leva ao inescapável encontro de questões epistemológicas e técnicas. Encontro bastante negligenciado nas humanidades, exceto nos estudos da edição, que permaneceram até há pouco como periferia ou vertente de outros campos. A criação do Observatório da Literatura Digital Brasileira ora descrita exigiu a constituição de um repositório; para estabelecer essa coleção, foi preciso entender de que taxonomia se tratava e, então, perceber que esses objetos culturais, típicos do tempo presente, ainda estão por ser delineados.

Amélie Dumont

Amélie Dumont é uma designer gráfica, tipógrafa e programadora sediada em Bruxelas, que trabalha exclusivamente com software livre e de código aberto. Os seus projectos combinam linguagens de programação, ferramentas Web e objectos impressos, com um interesse particular na influência e nas possibilidades oferecidas pelas ferramentas digitais no design editorial e gráfico. É também professora na Escola de Investigação Gráfica em Bruxelas. Os seus projectos estão disponíveis no seu sítio Web pessoal www.amelie.tools

Antoine Fauchié

Antoine Fauchié é doutorando no Departamento de Línguas e Literaturas Mundiais da Université de Montréal. A sua tese, orientada por Marcello Vitali-Rosati e co-orientada por Michael Sinatra, centra-se nos processos de edição e publicação. Realiza projectos de investigação-ação relacionados com a edição digital e a construção de cadeias editoriais, levando à criação e produção de objectos editoriais. A sua investigação pode ser seguida no seu registo de investigação www.quaternum.net/phd/.

Raísa França Bastos

Doutora em Literatura Comparada e Português pela Université Paris Nanterre e ex-aluna da Escola Normal Superior de Paris, Raísa França Bastos é professora, artista e tradutora. Em suas pesquisas, ela explora as poéticas da oralidade e as tradições literárias em circulação entre França e Brasil. Seu trabalho de tradução baseia-se tanto sobre a poesia como sobre a prosa literária e teórica : literatura de cordel, canções, artigos, ensaios – como O riso da Medusa, de H. Cixous (2022) traduzido em parceria com Natália Guerellus.

Roberto Rosa

Roberto Rosa (@instanapontadolapis) é ilustrador e quadrinista, natural de Niterói e egresso da Escola de Belas Artes da UFRJ. É autor dos desenhos da série “Na Ponta do Lápis”. Ao lado das historiadoras Natália Guerellus e Simeia dos Santos, é coautor da coluna literária e multimídia “O que disse Eurídice”, sobre escrita de autoria feminina e regimes autoritários, no site História da Ditadura. Autor da HQ “Intentona” (Editora Telha, 2022).